Curitiba - A partir de 2012, todos os veículos com motores diesel que forem produzidos no Brasil deverão seguir as especificações Euro 5 - no Brasil nomeado Proconve 7 - um programa de redução de emissão de poluentes regulamentado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), subordinado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Picapes, caminhões, SUVs, ônibus e implementos agrícolas estarão adaptados para rodar com diesel S50 e S10, combustíveis que tiveram uma redução drástica do teor de enxofre em relação aos atuais S500 a S2000.
No entanto, os automotores chamados P7 (lançados dentro do Proconve 7) precisarão de um aditivo para funcionar: o agente redutor líquido automotivo (Arla 32), uma solução de ureia pura. O produto será injetado no sistema de escapamento para reduzir quimicamente as emissões dos óxidos de nitrogênio (NOx). O tema foi discutido esta semana em Curitiba em um seminário sobre o papel do Arla 32 no controle da poluição do ar.
De acordo com o diretor de emissões da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Gilberto Leal, além da vantagem ambiental, os veículos P7 terão um ganho econômico em relação aos modelos atuais, os P5, apesar do gasto extra com o Arla 32. ''Cada carro antigo - P1 - equivale a 36 P7 em nível de poluição'', explica.
Os veículos adaptados só poderão rodar com o diesel S50, já disponível no mercado em algumas cidades; e com o S10, que será introduzido no Brasil em 2013. A maior preocupação dos envolvidos - montadoras e empresários do setor - é se a rede de distribuição de combustíveis estará preparada para a comercialização tanto do diesel mais limpo como do aditivo.
A especificação do Arla 32 foi publicada no Diário Oficial da União em 12 de agosto do ano passado. O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) irá avaliar a qualidade do Arla 32 que terá certificado e selo com base na norma ISO 22241. Segundo Victor Simão, do Inmetro, a fiscalização deverá acontecer nas fábricas e em envazadores, bem como nos pontos de comercialização.
''Como o aditivo é uma mistura de 32% ureia de alta pureza e 68% de água desmineralizada, existe uma facilidade grande de fraude. Mas o uso de um produto fora das especificações pode danificar o motor''. As irregularidades serão penalizadas conforme a lei atual. O Arla 32 não é tóxico ou explosivo. No entanto, ainda não está definida a forma de comercialização do aditivo, que na Europa é embalado em galões. No entanto, especula-se que o preço fique em torno de 50% o cobrado pelo litro do diesel.
As principais montadoras se comprometeram em trabalhar na comunicação do assunto para informar tanto usuário como rede de distribuição sobre o funcionamento do aditivo nos novos motores. Para Simão, o cronograma para que o P7 seja colocado em prática é apertado, por isso, montadoras, Inmetro, fabricantes do Arla 32 - quatro empresas já iniciaram o processo de produção - e postos de gasolina trabalham juntos para acertar os últimos detalhes.
Segundo Leal, as especificações e ajustes para receber o aditivo só valerão para os veículos produzidos a partir de 2012. Os automotores que já estiverem rodando não têm como ser adaptados. ''Para ter os benefícios ambientais e econômicos do diesel mais limpo e do Arla 32 só há uma solução: renovação de frota''.
Fonte : Bonde (http://www.bonde.com.br/)




