12/04/2010
AEA promove debate final do Arla 32


Produto indissociável do Diesel S50, combustível a ser utilizado em caminhões e ônibus 0 Km a partir de janeiro de 2012, o ARLA 32 – Agente Redutor Líquido Automotivo (uréia) passa por debate final – especificação, produção, comercialização e distribuição – sob a coordenação da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva.

Esta decisão foi tomada no workshop “ARLA 32: Viabilização da Fase P-7 do CONAMA”, promovido pela AEA no dia 14 de maio, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo, ao qual mais de 50 representantes do Ibama Ministério do Meio Ambiente), Cetesb, Ministério Público Federal, Ministério das Minas e Energia, Petrobras, indústria automobilística e fabricantes de uréia participaram do encontro técnico.

A fase que antecede à discussão do ARLA 32 pode ser ilustrada com a publicação da Resolução 315/2002, de autoria do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, sobre as etapas do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores – PROCONVE, com abrangência nacional, nos processos homologatórios de veículos automotores novos, nacionais e importados, leves (Fase L-4 e L-5) e pesados (Fase P-5 e P-6).

Por omissões e inações dos órgãos e empresas do Governo, tornou-se impossível o atendimento da Resolução 315/2002 por parte das montadoras. Diante disso, o Ministério Público Federal firmou um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC entre o Estado de São Paulo, o IBAMA, ANP, ANFAVEA e a CETESB.

Por meio do TAC, uma das ações é a implementação do Diesel S50 para veículos novos da fase P-7, a partir de 1º de janeiro de 2012, portanto daqui a menos de 3 anos.

Foi diante dessa constatação que o workshop foi aberto por José Edison Parro e Luís Afonso Pasquotto, respectivamente presidente e vice-presidente da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva. “Sabemos que o Brasil produz somente 50% da uréia que consome. A outra metade é importada. Ainda não temos especificação da ARLA 32, sabemos muito pouco da produção e comercialização. E muito menos sobre a distribuição”, lembrou Parro na abertura do encontro técnico, “além disso, estamos às vésperas da publicação da Portaria do IBAMA sobre a especificação, o que acontece no próximo dia 1º de julho”.

A primeira apresentação no workshop foi de Marcos Rangel, da Cummins, que abordou a experiência norte-americana de especificação, produção, comercialização e distribuição do aditivo uréia. Rangel falou também que os Estados Unidos possuem mais de 20 mil pontos de abastecimento de uréia, locais onde se comercializam o aditivo em galões de diversas capacidades volumétricas. E ainda na forma de contêineres, destinados a empresas frotistas. Lembrou que a legislação da uréia nos Estados Unidos é regida pelo API – American Petroleum Institute, alertando que o Brasil também precisa ter normas específicas sobre o aditivo automotivo.

Na seqüência, Danilo Pessoa e Felipe Freitas, respectivamente representantes da Fosfértil e da Petrobras, discorreram sobre o setor produtor de uréia pura no Brasil. Enquanto na Europa o setor conta com mais de 60 unidades produtivas, nos Estados Unidos 16 plantas, no Brasil apenas 3 fábricas, todas localizadas em regiões costeiras, produzem 50% da oferta desse produto. A outra metade é importada. Dados de 2005 indicam que o País consumiu 2,5 milhões de toneladas (produção local e importado), dos quais 95% foram destinados ao setor agrícola na forma de fertilizante.

Durante o encontro técnico, os representantes dos fabricantes de uréia demonstraram preocupação quanto à especificação do produto, em especial quanto à presença de biureto, reação química que acontece a partir de decomposição da uréia. A indústria reivindica presença de biureto na faixa de 0,3 a 0,5%. Dependendo do porcentual, Fosfértil e Petrobras teriam de investir em novos equipamentos, o que demandaria prazos de aquisição, fato contestado por todos os demais setores participantes do workshop.

Os fabricantes, no entanto, demonstraram sólida posição em atender mais este nicho de mercado, além dos setores agrícola e industrial. “Temos de levar adiante o projeto, mas já com a nomenclatura correta do aditivo. Não pode ser simplesmente uréia, na medida em que, mesmo em países desenvolvidos, temos histórico de mistura simples de uréia granulada com água, ou seja sem qualquer padrão técnico”, afirmou Felipe Freitas. Ao mesmo tempo, a indústria de uréia mostrou preocupação em relação à distribuição e estocagem, já que à temperatura média de 30º C, o aditivo tem vida útil de 6 meses.

Também nesse quesito, no entanto, os representantes da Cummins, Yara e Bardahl tranqüilizaram os players da propalada URLA 32 para o Diesel S50. De qualquer maneira, embora todas as manifestações tenham sido encaminhadas no sentido positivo, vários pontos ainda permanecem na berlinda, em especial sobre responsabilidades e prazos. Por esta razão, houve a recomendação de que a última reunião fosse conduzida pela AEA, antes da publicação da Portaria do IBAMA. E esse encontro técnico está agendado para o dia 2 de junho, na sede da entidade.

Na parte final do workshop, o representante do IBAMA, Márcio Veloso, foi enfático: “De nossa parte, vamos aguardar a especificação do ARLA 32 até o 30 de junho. Com ou sem novas propostas, o IBAMA vai publicar a Portaria no dia 1º de julho. Só não consigo entender o por quê desse debate, se a questão já era contemplada por ocasião da Resolução 315/2002”.