Na sexta-feira, 14 de maio, foi publicada uma matéria no jornal O Estado de S. Paulo
(que segue abaixo) a respeito dos problemas que a mistura B5 tem causado aos
revendedores e consumidores. No texto, o presidente da Fecombustíveis, Paulo
Miranda, sustenta que essa questão precisa ser resolvida no âmbito das distribuidoras
e produtores de biodiesel, entretanto esses afirmam que o problema é o manuseio
incorreto do produto por parte da revenda.
Sobre o assunto, o SindTRR vem recebendo várias queixas de associados com
problemas de formação de borra em seus tanques e em equipamentos de clientes. E
juntamente com a Fecombustiveis, o sindicato tem participado de reuniões para
debater o tema. Foi criada uma sala de monitoramento do biodiesel, na qual o
SindTRR é representado pelo diretor, Fernando Borges. Diante de tantos problemas
expostos nesses encontros, a Superintendência de Qualidade da ANP decidiu reunir
toda a cadeia do biodiesel na tentativa de encontrar soluções para essas questões.
Na semana passada ocorreu essa reunião, e o SindTRR, representado pelo
presidente, Alvaro Faria, pelos diretores, Fernando Borges e Eduardo Gonçalves, e
pelo representante do TRR Carboroil, Frank Juviniano, apresentou todos os problemas
que os TRR vem enfrentando com o novo combustível.
Embora os postos revendedores e TRR tenham problemas semelhantes, a nossa
categoria possui um agravante: atendemos hospitais, que não podem apresentar
falhas em seus geradores, uma vez que muitas vidas dependem do bom
funcionamento desse equipamento no caso de falta de energia elétrica. Sem falar em
geradores que alimentam antenas de celular, emissoras de TV, indústrias, entre
outros.
Na ocasião foi apresentado um grupo de trabalho formado por produtores de biodiesel
e a Petróleo Brasileiro, que já está realizando pesquisas nesse campo a fim de avaliar
os problemas causados pela mistura B5. O grupo afirmou que, até o momento, 99%
dos casos analisados foram decorrentes de falta de manuseio correto do produto.
Mas nós, que estamos cotidianamente trabalhando com esse combustível, sabemos
que não é somente o manuseio incorreto o causador da borra ou outros problemas. E
também entendemos que o biodiesel faz parte de um programa governamental com
muitos interesses em jogo, sendo difícil ir contra esse processo.
Diante desse cenário, concluímos ser necessário nos organizar para que o ônus não
recaia somente em uma ponta dessa cadeia. Para tal, o grupo de trabalho formado
pela Petróleo Brasileiro e produtores de biodiesel se colocou à disposição para
receber as queixas dos associados ao SindTRR, e até afirmou ter dificuldade de
encontrar material para análise.
Dessa forma, quando os senhores ou seus clientes apresentarem problemas com
relação ao B5, entrem em contato com o SindTRR para obter orientações sobre os
procedimentos que devem ser tomados para envio de material e contato com o grupo.
Essas informações são importantes na medida em que fornecem ao estudo uma gama
de problemas que podem existir ao lidar com esse combustível.
Sobre o manuseio do produto, já foi marcada a reunião para elaboração de uma
cartilha ou vídeo com os cuidados que os revendedores e consumidores devem ter ao
trabalhar com o B5. Queremos ressaltar que estamos trabalhando em conjunto com
várias autoridades e entidades ligadas ao setor, além de toda a cadeia do biodiesel,
para solucionar essas questões com esse novo combustível. Mas também contamos
com a colaboração dos senhores no que tange ao envio de material para análise do
grupo de estudo.
Outro assunto importante que está em voga, é a fiscalização que a Secretaria da
Fazenda de São Paulo está preparando com o objetivo de analisar a porcentagem de
biodiesel contida no diesel comercializado pelos TRR. Caso seja encontrado um valor
inferior à 5% o TRR será autuado, podendo até perder sua inscrição estadual.
Já entramos em contato com a Sefaz-SP para que o órgão avaliasse melhor essa
fiscalização, uma vez que o TRR não é responsável pela mistura, entretanto a
resposta foi negativa. Então solicitamos à ANP que conversasse com a secretaria a
fim de expor essa fragilidade do mercado TRR. Estamos aguardando a resposta, mas
é preciso ficar atento, pois há denúncias de que embora as distribuidoras comprem a
quantidade suficiente de biodiesel para realizar a mistura em seus estoques, essa
mistura é feita em maiores ou menores quantidades dependendo da localização das
bases, pois a companhia “economizaria” o frete para fazer o transporte desse
biodiesel.
Em breve enviaremos novas circulares informando os desdobramentos dessas ações.
Atenciosamente
Alvaro Faria
Presidente do SindTRR
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Adição de biodiesel prejudica combustível
Segundo a associação de distribuidores de combustível, a mistura de biodiesel ao diesel
provoca danos aos veículos e prejuízos aos postos
Nicola Pamplona - O Estado de S.Paulo
A adição de biodiesel ao diesel de petróleo vem provocando graves problemas de
qualidade no produto vendido nos postos brasileiros. Segundo dados da Agência
Nacional do Petróleo (ANP), 5,2% das amostras de diesel coletadas em postos em
março estavam fora das especificações, maior índice desde 2004. Segundo
representantes dos postos, o problema já foi levado à Justiça por consumidores que
tiveram danos em seus veículos.
Segundo o presidente da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis
(Fecombustíveis), Paulo Miranda, o biodiesel provoca alterações na consistência do
produto final, com o surgimento de borras e a proliferação de bactérias. Além dos danos
a veículos, o problema dá prejuízo aos postos, que tiveram que intensificar a limpeza de
tanques e trocas de filtros.
Em reunião realizada ontem, a Federação Nacional do Comércio Varejista de
Combustíveis (Fecombustíveis), que representa os postos, aprovou determinação para
que seus associados entrem na Justiça contra distribuidoras, caso tenham que ressarcir
consumidores prejudicados pela baixa qualidade do diesel - que hoje tem 5% de
biodiesel, produto conhecido como B5.
"Decidimos que, se nada for feito, vamos entrar com ações de regresso, pedindo
ressarcimento desse prejuízo às distribuidoras, que nos vendem o B5", afirmou o
executivo, que diz ter análises técnicas apontando que o óleo vegetal não tem reagido
bem à umidade, gerando borras e proliferação de bactérias. Miranda alega que a
responsabilidade, em última instância, é dos produtores de biodiesel e pede medidas
para melhorar as especificações do produto.
As distribuidoras concordam que há indícios de que a adição de biodiesel vem
provocando problemas de qualidade no diesel e pedem uma análise detalhada da
Agência Nacional do Petróleo (ANP). O vice-presidente executivo do sindicato de
distribuidores de combustíveis (Sindicom), Alísio Vaz, defendeu que o governo evite
novos aumentos na proporção de diesel enquanto o caso não for esclarecido.
"As etapas já foram bastante antecipadas. Achamos melhor esperar um pouco para
conhecermos melhor o biodiesel", afirmou. A proposta inicial era de que o B5 só fosse
implementado em 2013, mas foi antecipado por causa do crescimento inesperado na
capacidade de produção. Hoje, os produtores teriam condições de atender uma mistura
com 10% de biodiesel (B10).
Para eles, a responsabilidade sobre os problemas de qualidade está no manuseio e
armazenagem do produto pelos postos. "São 37 mil postos no Brasil, é natural que
alguns não saibam lidar com um produto tão novo", diz o diretor executivo da União
Brasileira do Biodiesel, Sérgio Beltrão, que defende a manutenção no ritmo de aumento
da mistura, com a adição de 6% já no segundo semestre. A ANP se comprometeu a
analisar a questão. "É um mercado em amadurecimento", comentou o diretor da agência
Alan Kardec.
Balanço
As vendas de combustíveis pelos postos brasileiros cresceu 5,4% em 2010, segundo
balanço feito pela Fecombustíveis. O destaque foram as vendas de etanol, com alta de
23,9%.
Fonte Sind Trr




